Desafios à catequese de todos os tempos

A catequese é um momento essencial no processo evangelizador da Igreja, ao serviço da iniciação cristã. Uma vez que é à catequese que se atribui, cada vez mais, a responsabilidade de despertar a fé no catequizando, torna-se importante rever a nossa forma de perceber a catequese. O Directório Geral de Catequese de 1997 propõe-nos algumas implicações práticas


– Uma catequese que seja, antes de mais, uma formação orgânica e sistemática na fé, uma vez que esta proporciona uma aprendizagem de toda a vida cristã sem se reduzir ao ocasional ou ao ensino: «Trata-se de educar no conhecimento e na vida de fé» (DGC 67). Não basta transmitir conteúdos, explicar a fé e falar de Cristo. É indispensável que a catequese faça “ver Jesus” (NMI 16), atualizando o convite do Evangelho: “Vinde e vede” (Jo 1,39). O seu objetivo é, de facto, educar o catequizando no conhecimento e na vida da fé, de modo a que este se sinta tocado pela Palavra de Deus. Deste modo, a catequese ajuda o catequizando, enquanto discípulo de Cristo, a assumir os seus compromissos baptismais e a professar a fé «a partir de uma adesão global, por uma sincera conversão do coração» (CT 20). A catequese é, pois, uma formação centrada naquilo que constitui o núcleo da experiência cristã, «nas certezas mais profundas da fé e nos valores evangélicos mais fundamentais» (DGC 67).
– Um itinerário de conversão de si mesmo ao Deus vivo. Tendo a catequese a finalidade de promover a comunhão do catequizando com Jesus Cristo, esta deve, por isso, mostrar claramente a identidade cristã em confronto com a cultura atual, caracterizando o perfil do discípulo de Cristo, um estilo de vida distinto, que segue um projeto diferente do mundo e se torna, pela sua forma de viver, construtor de um mundo novo.
– Um itinerário com fases que correspondam a níveis de crescimento, celebradas com ritos próprios. É necessário que a passagem das fases corresponda à aquisição de capacidades e competências, à aprendizagem de gestos e à assimilação de conhecimentos.
– Uma relação mais forte da catequese com a liturgia. De facto, a liturgia é a fonte e o cume de toda a vida cristã (cf. LG 11), onde os catequizandos experimentam o que ouvem na catequese e descobrem os sinais visíveis da presença e ação de Deus. Por isso, a catequese deve promover no catequizando um conhecimento dos significados litúrgicos e sacramentais, os sinais e a dimensão comunitária da celebração. A catequese deve, sobretudo, levar o catequizando a viver na celebração litúrgica e na oração o que aprende sobre a vida cristã.
– Uma ligação mais forte da catequese à comunidade cristã, sua origem, ambiente e meta. A comunidade cristã é chamada a acolher e a acompanhar o itinerário de crescimento na fé.
– Uma catequese que não fique no conhecimento da fé e na celebração da liturgia mas eduque no amor a Deus e aos outros e conduza ao compromisso de ser fermento do Reino de Deus no mundo.


A oração em catequese, um convite à intimidade com Deus


Sendo a finalidade da catequese colocar o catequizando, não só em contacto, mas sobretudo, em comunhão e intimidade com Deus, a caminhada catequética deve estar imbuída de um verdadeiro clima de oração, que favoreça e realize esta intimidade. Na sua Exortação Apostólica Catechesi Tradendae, João Paulo II refere que «a catequese não consiste apenas em ensinar a doutrina, mas deve iniciar o catequizando para a vida e a vivência cristã» (CT 33). Ora, sendo a oração uma importante dimensão da vida cristã, é essencial que, em cada encontro catequético, se desperte no catequizando a necessidade de se encontrar e de conversar com Deus; de se abrir para escutá-Lo e sentir que Ele está presente e caminha ao seu lado, em todos os momentos da sua vida.  
A oração é diálogo e encontro entre Deus e cada pessoa. É um encontro pessoal. Por isso, quando na catequese se escuta a Palavra de Deus, inicia-se um momento de especial intimidade com Ele. A catequese deve, pois, tornar-se momento privilegiado de escuta da voz do Pai.
Para que este encontro íntimo e dialogante entre o catequizando e Deus aconteça, é preciso que, em cada sessão da catequese, se crie um clima de acolhimento, de silêncio, onde se escuta e se celebra a Palavra de Deus e a Sua mensagem de salvação. Somente numa atitude de escuta e de abertura à Sua Palavra é que o catequizando se escuta a si próprio e escuta o chamamento de Deus, entrando em diálogo interpessoal com Ele. No silêncio interior, a Palavra de Deus ressoa em nós e do nosso coração nasce uma resposta de amor. Quando celebramos, escutamos, interiorizamos e nos convertemos à Sua Palavra, estamos a fazer oração, ou seja, estamos a entrar em comunhão com Deus. A catequese deve promover no catequizando este momento de intimidade com Deus e saber aproveitá-lo.



Não obstante, a oração não acontece apenas no encontro da catequese, de modo que as crianças e adolescentes devem ser iniciados à vida de oração no seu quotidiano. Na verdade, sendo a oração algo “espontâneo” que brota do íntimo de cada um, é, pois, essencial que se crie no catequizando a convicção que, em qualquer situação e lugar, pode sentir a presença de Deus e dialogar com Ele. Mas aí a família assume um papel importante. É fundamental que os pais dediquem, cada dia, um momento para estar com os seus filhos num clima de oração, interiorizando neles este encontro com Deus.

Em jeito de conclusão, verificámos que o ato catequético é chamado a ser em si mesmo um ato de oração. A catequese não prepara apenas os catequizandos para a oração; ela é já oração, despertando nelas este encontro de amor com Jesus Cristo. Se assim não for, não é catequese.

Catequizar, ato vivo de toda a Comunidade

Na sua exortação apostólica Catechesi Tradendae, João Paulo II afirma que todos os cristãos, cada um a seu modo e de acordo com a sua vocação, são responsáveis pela atividade missionária da catequese, a fim de conduzir os catequizandos a uma participação ativa na vida da Igreja. «A catequese não é uma função meramente individual, mas deve realizar-se sempre na dimensão da comunidade cristã» (MPD 13), sendo dever de toda a Igreja anunciar o evangelho a todas as pessoas e ajudá-las a crescer na fé.
Com efeito, a fé não é apenas uma doutrina, um sentimento vago e abstracto, mas um modo de viver, construído pela íntima comunhão com Cristo. O despertar da fé necessita de um terreno para que a Palavra de Deus possa produzir fruto. A comunidade cristã é chamada a desempenhar a sua missão.
De facto, enquanto pedras vivas da Igreja, é a comunidade cristã que recebe, vive e testemunha, por gestos e formas de viver, a Palavra de Deus, e é chamada a dar razões da sua fé. Assim sendo, uma vez que a comunidade cristã oferece sinais e referências concretas da Palavra de Deus anunciada na catequese, esta assume-se como um apoio indispensável na educação da fé do catequizando. Com efeito, para que a palavra transmitida na catequese seja “credível”, esta deve ver-se realizada na comunidade. Esta educa na fé quando acolhe, quando ensina e testemunha a vida cristã e quando vive o evangelho como proposta de vida diferente.


Uma comunidade unida no amor fraterno e comprometida no serviço a todos, eis aqui uma condição fundamental da credibilidade da mensagem cristã oferecida pela catequese. A ausência deste apoio da comunidade na educação da fé explica, muitas vezes, o insucesso de muitas catequeses. Em boa verdade, a religião cristã, bem como todos os princípios que lhe são subjacentes, deve ser apresentada como uma realidade visível e constatável na comunidade cristã e não como algo que “deveria ser”. Só assim a catequese poderá lançar nos catequizandos raízes profundas e formar verdadeiros discípulos de Cristo.  
No entanto, ainda que a ação catequética seja uma ação de toda a comunidade, os seus membros participam de diferentes maneiras nessa missão de educar o catequizando na fé. Aos pastores compete procurar que a catequese seja uma atividade prioritária na missão pastoral, suscitar a corresponsabilidade da comunidade pela catequese e integrar a ação catequética na missão pastoral, «cuidando especialmente da ligação entre catequese, sacramentos e liturgia» (DGC 225).
Por sua vez, a família exerce uma influência decisiva na educação humana e cristã dos filhos (cf. CT 68). É nela que os catequizandos dão os primeiros passos na caminhada da fé, onde o despertar religioso acontece e onde se estrutura e interioriza a experiência da fé. O seu contributo é insubstituível, uma vez que a fé é uma forma de vida que se comunica e não um conjunto de regras e de leis que se incutem na criança. No entanto, verifica-se, hoje, que os pais se têm vindo a afastar da responsabilidade de primeiros e principais educadores, sendo cada vez mais necessário a promoção de formas de sensibilização dos mesmos.   
Por fim, os catequistas ocupam um lugar especial na transmissão da fé, uma vez que é em nome da comunidade, que estes orientam os vários grupos da catequese. Os catequistas são o rosto e porta-voz da fé da Igreja e testemunhas da experiência de fé das comunidades.
Em síntese, a catequese é obra de toda a comunidade cristã e conduz necessariamente à comunidade cristã, uma vez que é na comunidade que se deverá iniciar e integrar plenamente cada discípulo de Cristo. A dimensão comunitária da catequese implica, pois, uma renovação da Igreja, numa perspectiva de comunhão e de participação entre todos os membros da comunidade cristã.

Catequese e Liturgia

O ensino e a celebração da fé, da Palavra de Deus, não podem viver uma sem a outra dentro da Igreja. Uma catequese que se dissocie da experiência cristã vivida em comunidade é uma catequese alienada, exterior à realidade dessa comunidade e cujos conteúdos não são mais do que simples informações religiosas. A transmissão da fé é fundamental, pelo que deve também ser vivida e celebrada nas ações litúrgicas, momento onde todos os cristãos celebram o Mistério Pascal.
 A Liturgia é, na verdade, a fonte e o cume de toda a vida cristã, onde os catequizandos experimentam e vivenciam em comunidade o que ouvem na catequese e descobrem sinais visíveis da experiência de Deus: «A catequese está intrinsecamente ligada a toda acção litúrgica e sacramental. Pois é nos sacramentos, e sobretudo na Eucaristia, que Cristo Jesus age em plenitude para a transformação dos homens» (CCE 1074).


Por sua vez, a Igreja, que transmite a fé como dom do Senhor, que está presente na Sua Igreja, especialmente nas acções litúrgicas (cf. SC 7), acredita ser importante que os cristãos participem ativa, mas também conscientemente, na liturgia, onde celebram a presença salvífica de Cristo. Por isso, à catequese, como caminho de fé e inserção na vida eclesial, compete iniciar o catequizando na liturgia, favorecendo o conhecimento dos significados litúrgicos e sacramentais, de forma a que a celebração dos ritos cristãos sejam, de facto, expressão dum caminho de fé que garanta a verdade e a autenticidade. Não se trata apenas de uma instrução sobre um determinado objecto religioso, mas uma iniciação viva e orante que deve levar à interiorização do culto litúrgico: «a vida sacramental empobrece e bem depressa e se torna um ritualismo oco, se ela não estiver fundada num conhecimento sério do que significam os sacramentos. E a catequese intelectualiza-se, se não for haurir vida numa prática sacramental» (CT 23). Agora, sendo a catequese uma aprendizagem dinâmica da fé, da vida cristã, e da celebração da eucaristia, esta não pode prescindir de momentos celebrativos e festivos fortes, porque sem expressão de fé não há comunicação nem amadurecimento da fé.
 Deste modo, a catequese deve conduzir o catequizando a uma experiência viva da presença e ação de Cristo na vida da Igreja, de modo a poder levar a um seguimento firme do Senhor e um compromisso missionário. Quando as pessoas são evangelizadas a partir da sua própria vivência cristã e, a partir daí, se sentem chamados a se identificarem a  Cristo, a liturgia e os sacramentos assumem nas suas vidas um novo valor e um sentido diferente.

O ministério da catequese. Um olhar sobre a paróquia


Consciente da indiferença religiosa que carateriza a sociedade atual, à Igreja impõe-se, cada vez mais, a missão apostólica de evangelizar toda a Humanidade, anunciando e transmitindo a todos a Boa Nova de Jesus Cristo e a Sua mensagem universal de salvação. A evangelização é a missão e a razão de ser da Igreja: ela recebeu de Jesus Cristo a missão de anunciar o Evangelho a todos os homens e fazer deles discípulos de Jesus: «Ide por todo o mundo e fazei com que os Povos se tornem meus discípulos» (Mt. 28, 19).

Num contexto cultural adverso, onde o cristianismo corre o risco de aparecer como uma voz entre tantas outras, urge encontrar caminhos novos que vão ao encontro das pessoas afastadas, iluminando-as com o evangelho. Neste sentido, a catequese assume-se como um momento prioritário na missão evangelizadora da Igreja, uma vez que educa o catequizando na fé cristã e lança as primeiras bases de adesão a Jesus Cristo, a fim de os conduzir à plenitude da vida cristã, assim como ao compromisso com o testemunho do Evangelho no mundo. Ao levar os catequizandos à descoberta, à amizade e ao seguimento de Jesus Cristo, a ação catequética é, na verdade, uma base preciosa de apoio ao processo de evangelização que a Igreja se encontra incumbida de realizar. Com efeito, e tal como afirma o Directório Geral da Catequese «a comunidade cristã não vive sem catequese, uma vez que é através dela que novos cristãos se formam» (DGC 221).
Todavia, para que a catequese seja, de facto, um momento estruturante e essencial do esforço evangelizador da Igreja, é preciso que cada cristão, enquanto discípulo de Jesus Cristo, se consciencialize da sua missão em anunciar o Evangelho e o Seu desígnio salvífico, através do testemunho da sua fé e do serviço ao Reino de Deus. Na verdade, a vivência da fé na comunidade cristã, bem como o testemunho fiel do Evangelho são condições essenciais para uma verdadeira evangelização: «Mais do que nunca, portanto, o testemunho da vida tornou-se uma condição essencial para a eficácia profunda da pregação. Sob este ângulo somos, até certo ponto, responsáveis pelo avanço do Evangelho que nós proclamamos» (EN 76). Assim sendo, só uma Igreja renovada e fortalecida na fé que professa, cujos membros estejam conscientes da sua missão profética, pode apresentar Jesus Cristo como fonte de esperança e de salvação.
Ora, neste processo de renovação da Igreja, a catequese não pode continuar a ser entendida como uma simples iniciativa baseada na boa vontade de alguns e na improvisação. Daí decorre a necessidade de pensar, de organizar e de atualizar a catequese; buscar novos rumos; animar os catequistas e criar, entre todos os membros da comunidade, uma autêntica comunhão eclesial, pois todos partilham da missão evangelizadora da Igreja. O próprio Directório Geral da Catequese aponta para a importância de uma efetiva coordenação da catequese da comunidade cristã, uma vez que esta visa «a unidade da fé, a qual sustenta todas as ações da Igreja» (DGC 272). Com efeito, a organização da catequese na paróquia não é uma dimensão meramente superficial que pertença só ao pároco e ao catequista. Pelo contrário, é importante a formação de uma equipa coordenadora que assuma a sua missão articuladora e animadora da catequese, promovendo a  união de esforços e fomentando, entre os seus membros, a participação, a cooperação, a corresponsabilidade, de forma a tornar eficaz todo o processo catequético. As pessoas convidadas a formar esta equipa têm que ter um coração grande, cheio de amor, humildade, abnegação e simplicidade, a fim de realizarem, com alegria, a missão para que foram convocados.

Equipa Paroquial de Catequese

Por outro lado, salienta-se que, a cada um dos membros integrantes desta equipa coordenadora, são atribuídas  responsabilidades distintas. Vejamos:
Pároco é o primeiro responsável, como delegado do bispo, na organização da catequese na comunidade cristã. A ele compete-lhe: suscitar na comunidade cristã o sentido da responsabilidade comum em relação à catequese, como uma tarefa que a todos envolve, bem como suscitar o reconhecimento e o apreço pelos catequistas e pela missão que desempenham; suscitar e discernir vocações para o serviço catequético e, como catequista dos catequistas, cuidar da sua formação; integrar a ação catequética no projeto evangelizador da comunidade; assegurar a relação entre a catequese da sua comunidade e os planos pastorais diocesanos, ajudando os catequistas a tornarem-se cooperadores ativos de um projeto diocesano comum, bem como cuidar da organização de fundo da catequese e da sua adequada programação, contando com a participação ativa dos próprios catequistas e estando atento, para que seja bem estruturada e bem orientada. No que respeita esta organização, refere-se que, antes do ano lectivo terminar, o pároco deve dar início às inscrições para as matrículas na catequese, para assim poder organizar os anos catequéticos com a equipa coordenadora. O pároco representa a catequese no seu todo; nada se organiza sem o seu consentimento.
O coordenador é um catequista eleito pelos catequistas e pelo pároco ou escolhido por este. Deve exercer o seu ministério com alegria e ser o elo de unidade entre os vários membros da comunidade. Tem por missão animar os catequistas; abrir novos horizontes; pelo que deve atualizar-se continuamente, estando em sintonia com as orientações diocesanas; criar um clima de acolhimento, de partilha e de confiança entre todos os membros. Deve estar atento ao cumprimento do programa, aos registos de assiduidade dos catequizandos, como também dos catequistas e a sua pontualidade. Incentiva e auxilia a realização de reuniões de pais com os catequistas.
       O coordenador caracteriza-se, assim, pelo serviço que presta como animador, pela distribuição das tarefas, pela confiança que deposita nos catequistas, pelo amor aos pais dos catequizandos, pela vivência comunitária, pela preocupação com a formação dos catequistas, pelo relacionamento humano, afectivo, carinhoso e alegre, mesmo nas dificuldades. Deve ser uma pessoa aberta capaz de acolher sugestões, aceitar com humildade as críticas, apontar sempre uma luz nas horas difíceis.
       Acima de tudo, o coordenador deve elaborar um projeto catequético participado capaz de gerar um processo de educação da fé na comunidade.
 O Secretário é proposto pelo coordenador ou eleito para executar o processo burocrático, ou seja, manter os dados da organização catequética paroquial em dia. O secretário vai atualizando o ficheiro de catequistas, dos catequizandos, dos anos de catequese, e regista informações importantes da catequese paroquial ou diocesana, comunicando aos catequistas as informações recebidas através de uma circular, quadro de avisos… Este preenche e entrega as informações que lhe forem pedidas; mantém o quadro de avisos com as informações úteis para a catequese, mensagens, aniversários e actividades conjuntas.
O tesoureiro também é proposto pelo coordenador ou eleito. A sua função é coordenar as contas e fazer os balanços. É ele que compra os materiais necessários (catecismos, guias, cartolinas…), mas deve apresentar periodicamente as contas à equipa coordenadora.

Tarefas da Equipa Paroquial de Catequese

Não obstante, ainda que, a cada um destes membros integrantes da equipa coordenadora sejam atribuídas responsabilidades diferentes na organização do processo catequético, esta tem também tarefas comuns, as quais devem ser realizadas com a plena participação de todos os seus membros, a saber:
Animação: A primeira tarefa da equipa deverá ser a de criar condições, para que todos os catequistas participem do trabalho realizado na paróquia. Animar significa “gerar vida” e entusiasmado significa “cheio de Deus”. Estas duas características são importantes numa equipa, para que esta tenha capacidade de criar condições de levar todos os membros da comunidade a participar com entusiasmo e a esforçarem-se por uma busca do melhor para a comunidade cristã;
 Comunhão fraterna: A equipa coordenadora deve fomentar a comunhão fraterna entre os catequistas, para que estes se tornem testemunhas vivas daquilo que anunciam. Assim, a equipa deve:
  – incentivar a um bom nível de relacionamento interpessoal entre o grupo de  catequistas;
– ajudar cada um a conviver com as diferenças uns dos outros;
– proporcionar espaços de partilha construtiva, numa visão de fé;
– criar um ambiente fraterno, de alegria e responsável, para que a convivência do grupo se torne um bom testemunho na comunidade cristã;
– incentivar à participação em eventos sectoriais da Arquidiocese;
– sugerir ao pároco que a comunidade custeie o estudo e formação dos catequistas;
– promover ações de formação permanente.
Antes de anunciar a Palavra de Deus e formar comunidade, o grupo de catequistas deve formar, entre eles, uma verdadeira comunidade de discípulos do Cristo, que sirva de ponto de referência para os catequizandos;
Mobilização: A equipa coordenadora deve promover a união entre todos, apesar das diferenças pessoais de cada um. Esta mobilização deve passar por todas as pessoas que formam a comunidade, através de uma boa articulação e coordenação, sempre numa linha de corresponsabilidade;
Organização: É tarefa desta equipa organizar todo o ano de catequese e ajudar os catequistas a superar as suas dificuldades, mesmo no âmbito da organização por anos.
Por fim, sendo, sem dúvida, a planificação anual do Ano Catequético uma das atividades mais importantes e trabalhosas que a equipa coordenadora realiza, deixamos, aqui, em jeito de partilha, uma possível forma de planificar o ano catequético:

Planificação anual 

Uma boa organização parte sempre da avaliação final do ano. Assim, ao terminar o ano pastoral, já se deve planificar o ano seguinte. Aliás, é importante saber-se, com antecedência, se há catequistas suficientes para o próximo ano, assim como a definição das datas, para que não haja coincidência de compromissos.
Deste modo, numa reunião do conselho da catequese, ou, na falta deste, da equipa coordenadora deve determinar-se:
– o começo e término da catequese;
– as férias intercalares;
– as festas do Itinerário Catequético ( ter presente as diferentes propostas dos catecismos);
– as celebrações que contemplem a presença de todos os catequizandos e mesmo a participação da comunidade (Natal, Páscoa, Penitenciais, Via-sacra…);
– as reuniões de catequistas;
– as reuniões com os pais (gerais e por cada ano);
– as festas e convívios (magusto, passeio, festa do Bom Pastor, festa de encerramento…);
-a catequese e a liturgia;
– a missa com a participação das crianças;
– o mês de Maria;
– a quaresma – vivência do tríduo pascal …
– outras devoções da religiosidade popular (padroeiro da Paróquia…).
No que respeita a planificação de cada ano catequético, o catequista responsável de cada ano e seus colaboradores devem planificar o seu ano catequético tendo em atenção a planificação geral da catequese. É conveniente conjugar bem o tempo, tendo presente cada bloco, e, ao mesmo tempo, o caminhar do ano litúrgico.  
Concluindo, coordenar é, pois, integrar, dinamizar e incentivar a caminhada da catequese, em harmonia com as opções diocesanas, paroquiais, e segundo as exigências de uma catequese renovada. Como condição essencial para  o correto exercício da sua missão, aqueles que integrarem esta equipa deverão ser dotados de uma grande capacidade de empenho, de entusiasmo; espírito de comunhão e participação; humildade; testemunho de vida; capacidade para trabalhar em equipa, afetividade e  espírito de fé e oração. 

Catequese e Famílias, um novo desafio

A crise familiar e sua consequente perda de identidade

Actualmente, um dos temas que mais preocupações tem suscitado no seio da nossa sociedade é justamente a crise familiar, cuja perda de identidade tem vindo a intensificar-se nas últimas décadas.
Na verdade, são inegáveis as transformações sociais, culturais e políticas que convergem para provocar uma crise cada vez mais evidente da família, comprometendo «em boa medida, a verdade e a dignidade da pessoa humana e põem em discussão, desfigurando-o, o próprio conceito de família» (EE 90).  
Em boa verdade, a família, célula viva da nossa sociedade, está profundamente transformada nos seus modos de constituição, nas suas formas, na sua composição, assim como na sua própria estrutura. Se observarmos atentamente a realidade que nos envolve, é cada vez mais recorrente o aumento do número de famílias ausentes, desestruturadas, com pouco tempo para o convívio familiar e pouco conscientes do seu papel de primeiros educadores, muito devido às intensas solicitações exteriores à própria família.

Novo contexto sócio-cultural e religioso na transmissão da fé

As profundas transformações socioculturais que marcam esta nova situação familiar repercutem-se, invariavelmente, ao nível da transmissão da fé. Com efeito, se antes a comunicação da mesma passava quase espontaneamente de pais para filhos, hoje a transmissão da fé depara-se com dificuldades cada vez maiores. Constata-se, na verdade, que, na globalidade das crianças e adolescentes que frequentam a catequese, muitos destes não adquirem o sentido da presença e da amizade de Deus, e muitos deles nem sempre podem contar com o apoio da família para o crescimento da fé. Falta-lhes, em geral, uma relação vivida com Deus e uma leitura da vida humana à luz desta relação. Conscientes desta ausência de união entre a fé e a vida, uma das apreensões mais recorrentes dos párocos e catequistas assenta, frequentemente, na fraca motivação dos pais em acompanhar o crescimento de fé dos seus educandos. Com efeito, ainda que, no processo de evangelização, encontremos pais corajosos, dispostos a aprofundar a sua fé, a fim de a poderem transmitir aos seus filhos, verificámos, no entanto, que muitos outros pais se encontram desencorajados e pouco conscientes da sua missão evangelizadora, porque sem a pertença mínima à memória da fé cristã.


Verifica-se que a transmissão da fé, que antes tinha os seus canais próprios na família, encontra-se, hoje, debilitada, sendo, pois, urgente, «redescobrir a verdade da família, enquanto íntima comunhão de vida e de amor, aberta à geração de novas pessoas; a sua dignidade de “igreja doméstica” e a sua participação na missão da Igreja e na vida da sociedade» (EE 90). A este respeito, também João Paulo II, na sua Exortação Apostólica sobre a Catequese para Hoje, enfatiza o papel missionário da família, considerando a sua «ação catequética (…) em certo sentido, insubstituível» (CT 68). De facto, é na família que cada um de nós experiencia momentos estruturantes que nos levam a tomar consciência de sermos pessoas humanas e é nela que vivenciamos o sentimento mais precioso e belo que qualquer ser humano pode e deve experienciar: o Amor. É importante perceber que a família é, antes de mais, uma comunhão de amor, e só através de um verdadeiro testemunho de amor na família, podemos sentir uma verdadeira experiência de Deus: «Como sem o amor, a família não é uma comunidade de pessoas, assim também, sem o amor, a família não pode viver, crescer, aperfeiçoar-se como comunidade de pessoas» (FC 18).  

A família: escola de fé

A família é, neste sentido, a primeira escola de fé, o espaço onde os seus membros sentem a presença do amor de Deus, sentem-se como uma Igreja doméstica, onde o amor é uma realidade presente e constante. Mais do que qualquer palavra, o processo de crescimento da fé, na família, brota da convivência, do clima familiar e do testemunho de vida de fé dos pais.
Destarte, e sendo que «a catequese familiar (…) precede, acompanha e enriquece todas as outras formas de catequese» (CT 68), impõe-se, hoje, mais do que nunca, um claro desafio à evangelização e ao trabalho desenvolvido com os pais das crianças e adolescentes que participam nas nossas catequeses paroquiais, em direcção a uma verdadeira consciência catequética familiar. De facto, para que toda a Igreja cresça em comunidade, é prioritário ajudar as famílias a serem experiências de comunhão de vida e de amor, consciencializando-as da sua missão enquanto primeiras educadoras da fé. Ora, sendo a catequese uma caminhada conjunta, onde todos os membros da comunidade cristã (pais, catequistas, catequizando e demais povo de Deus) procuram testemunhar e anunciar a Palavra de Deus, os pais devem ser orientados e ajudados, não só para dar uma formação consciente e explicitamente cristã aos filhos, mas também para eles mesmos crescerem no seu compromisso cristão e na capacidade de iluminar pela fé a realidade familiar e social, que são chama­dos a construir. 


Revela-se, deste modo, prioritário encorajar todos membros da comunidade cristã, em particular catequistas e párocos, a ajudar os pais a cumprirem a sua missão evangelizadora, promovendo, para tal, serviços acolhedores, dedicados e perseverantes, que fomentem a participação activa dos mesmos nesta caminhada. Assim sendo, é de todo vantajoso que cada paróquia se dedique à promoção de um verdadeiro percurso catequético de adultos, uma vez que comunidade cristã não poderá pôr em prática uma catequese permanente, sem a participação direta e consciente dos pais e demais adultos. Em boa verdade, não nos podemos esquecer que a família não é um simples destinatário ou objecto de catequese, mas, pelo contrário, é o local por excelência de catequese, sobretudo na primeira infância. Nesse sentido, é fundamental ter em atenção o testemunho de fé e de amor, as necessidades, os interesses e problemas de cada uma das famílias envolvidas no processo catequético. Dever-se-á, pois, estimular, entre pais e catequistas, uma relação positiva, franca e aberta, assente no diálogo e na confiança, onde todos os membros se sintam incentivados a colaborar activamente, e em conjunto, na planificação dos diferentes momentos do acto catequético. Trata-se, pois, de criar, entre estes, uma «educação partilhada», onde todos intervêm plenamente na caminhada catequética. Consequentemente, a catequese deixa de ser concebida como algo que é oferecido aos pais, passando, pelo contrário, a ser desenvolvida e vivida por todos. Sentindo-se acolhidos, os pais sentem-se envolvidos na catequese dos seus filhos. Isto dependerá, não obstante, do trabalho de equipa desenvolvido pelos diferentes responsáveis, assim como da qualidade da relação comunicativa desenvolvida entre os mesmos. Contudo, e apesar das dificuldades que este trabalho de equipa comporta, não nos podemos esquecer que este trabalho permitirá a condução dos catequizandos a uma vida verdadeiramente cristã, humana e feliz.

Professar a fé nas Redes

Há uns tempos pensava-se que estar no mundo dos media, entendendo-os como comunicação de massas – os mass media  –, era possuir e utilizar as comunicações de grande difusão. Aqui poucos comunicadores podiam chegar a um grande número de receptores, com uma mensagem bem delineada e clara.
Atualmente, graças à televisão por cabo, à rádio que se ouve à la carte, graças ao podcasting , e às ferramentas da Web 2.0, que permitem a cada cibernauta produzir e difundir aquilo que quiser, de forma rápida, gratuita e muito eficaz, estamos no tempo, não já dos mass media, mas sim dos cross media. E os cristãos são chamados a estar neste ambiente.


O dominicano José Mourão [1947-2011] lançou um desafio muito lúcido quando disse: «a idade da religião como estrutura acabou, a sua função social está a apagar-se. Resta a função subjectiva da experiência religiosa». Até mesmo os sítios onde se faz eco ou dá expressão católica da religião são sítios propícios ao esoterismo e a uma nebulosa de tal modo intrincada que torna difícil a proposta e educação da fé — o testemunho — tornando evidente a necessidade de um «atlas da verdade». Mas «abraçar a fé implica ipso facto para o crente uma auto-exposição às dificuldades duma situação de desolação. ‘A experiência é um embaraço absoluto (…) que pertence à vida do próprio cristão. A afirmação (da Palavra) é para ele uma auto-exposição à ferida da linguagem, antes de mais. Este embaraço é uma característica fundamental, uma inquietude absoluta no horizonte da parusia escatológica’».


Ainda de acordo com José Mourão, «estamos a assistir:
a) à atomização das pequenas narrativas crentes em que a experiência pessoal se torna o seu próprio critério de verificação;
b) à substituição progressiva da relação autorizada com a memória crista (Magistério) por uma pragmática com o stock  disponível das significações cristãs, transformadas em caixa de ferramentas a que se recorre conforme as necessidades (…).
c) ao processo de eufemização das tradições na Tradição com as suas arestas, práticas e conflitos. O catolicismo sobrevive como ‘meio ético-afectivo’ numa sociedade laicizada em profundidade. O cristianismo não pode pretender ao universal senão com a consciência da sua particularidade histórica: ‘É à luz duma teologia da cruz que se pode reaver a singularidade do cristianismo como religião da alteridade.
A verdade cristã é relativa, no sentido de relacional à pluralidade das verdades próprias de cada tradição religiosa. À parte de verdade irredutível que toda a tradição religiosa transporta’.

A sociedade dos media coloca aos cristãos uma questão sobre o acto de tradição: um simples acto de repetição, ou de recriação do lado do emissor, se quer ser criação do lado do receptor?  A perspectiva utilitarista e instrumental que a Igreja tem dos media é excessivamente redutora do seu papel – os media determinam novos universos mentais, uma nova cultura».

Perante a problemática agora exposta, precisamos, então, de uma ferramenta mental que nos ajude a calibrar o nosso olhar. Que nos dê a possibilidade de  a Igreja estar no mundo dos media e aí realizar a sua missão.


Linguagem parabólica

De entre os problemas que hoje se põe à fé, a linguagem ocupa um papel de destaque. Quando nos exprimimos, corremos o risco de não sermos compreendidos: há algo que não funciona.
Para falarmos acerca da transcendência apenas nos podemos apoiar naquilo que lhe é secundário e subsequente (Karl Rahner). Com a linguagem parabólica dá-se um contributo importante para que a experiência religiosa não fique sem voz. Esta permite que as palavras sejam utilizadas de uma nova maneira, que expressem algo de diferente. Não reproduzem apenas o objecto mas, acima de tudo, representam uma descrição criadora da realidade. Dão algo mais à realidade física que esta não possui. Diz do mundo físico mais do que aquilo que é.


Se por um lado a experiência religiosaultrapassa a pura inteligência e compromete a vontade, por outro é razoável. A racionalidade verdadeira não reprime a analogia, alimenta-se dela ao mesmo tempo que a controla.
Visto que Deus não é uma realidade do nosso mundo, em face de um termo estrangeiro, poderíamos dizer que este perdeu o significado. Mas não, na linguagem parabólica as palavras são elevadas.  Isto porque as palavras humanas e as divinas, da Revelação, se fundem. Sem que as divinas deixem de o ser e as humanas percam o seu significado.
Se observarmos os resultados da filosofia da linguagem e tomarmos a sério a força criadora da linguagem, que não se limita a reproduzir a realidade da nossa experiência quotidiana, mas que projeta o conjunto da realidade e a dimensão religiosa e a partir daí é capaz de chegar, mediante as metáforas, a uma nova realidade criadora e a expressar o novo, então encontramos a doutrina da analogia,que vem a ser a doutrina da linguagem da fé (Walter Kasper).

Com isto não negamos a transcendência de Deus. Pois a linguagem sobre Ele deve ser capaz de mostrar ao mesmo tempo a distância e a proximidade – aproxima Deus por via  analógica e, ao mesmo tempo, também criam distâncias. Entre Deus e o homem existe um abismo que o próprio Deus transcende ao dar, justamente com as imagens, a Sua presença. Deus é o totalmente Outro.
A doutrina da analogia nasceu da ambição de abraçar numa única doutrina a relação horizontal das categorias com a substância e a relação vertical das coisas criadas com o Criador. A analogia, com efeito, 

«move-se ao nível dos nomes e dos predicados; ela é de ordem conceptual. Mas a sua condição de possibilidade está noutro lugar, na própria comunicação do ser. A participação é o nome genérico dado ao conjunto das soluções trazidas a este problema. Participar é, de um modo aproximativo, ter parcialmente o que o outro possui ou é plenamente»(Paul Ricouer).

 Ricouer acrescenta mais à frente: 

«no jogo do Dizer e do Ser, quando o próprio Dizer está a ponto de sucumbir ao silêncio, sob o peso da heterogeneidade do ser e dos seres, o próprio Ser relança o Dizer, em virtude das continuidades subterrâneas que conferem ao dizer uma extensão analógica das suas significações. Mas, no mesmo lance, analogia e participação são colocadas numa relação de espelho, correspondendo-se exactamente unidade conceptual e unidade real».

Em resumo, podemos ver que a metáfora dá algo mais à linguagem que a realidade física não possui. Nomeadamente na experiência religiosa. Assim a palavra Deus expressa a realidade de tal modo que faz brilhar no mundo “algo” que é mais que o mundo. A linguagem sobre Deus converte o mundo em metáfora de Deus. É um chamamento a contemplar o mundo como metáfora e as suas indicações, ou seja, a mudar o modo de pensar, crer e esperar. A analogia faz ver outro Mundo, outro Espaço e outra Vida.

Metáfora

O homem é, por si, um ser sociável. Precisa dos semelhantes para se realizar. Para entrar em contacto com eles usa a linguagem, a fim de comunicar as suas experiências. Mas o universo das experiências leva-nos à beira do mistério último não susceptível da experiência direta, apenas indireta em, com e sob a nossa experiência quotidiana. Mas quando tentamos descrever este mistério falta-nos a linguagem. A experiência tem uma última dimensão inefável.
O homem, espontaneamente, relaciona as coisas entre si por imagens, comparações e símbolos. Com estes pretende exprimir as suas experiências e a sua situação no mundo.
A importância da analogia, ou pensamento analógico, vem do facto de se chegar a alguma coisa geral, por indução, a partir de coisas particulares e semelhantes. Na analogia estão presentes a unidade e a pluralidade, a identidade e a diferença. Como se vê possui uma estrutura dialéctica.
A analogia fundamental, em que todas se apoiam, é a analogia entis. A inteligência humana está aberta ao infinito. Na afirmação do particular inquieta-se, pois reconhece nele o infinito. É pela existência do finito que reconhece a existência do infinito, mas nota-se que são de maneira diferente e, ao mesmo tempo, não tão diferentes. Se assim não fosse não poderiam estar presentes no mesmo conhecimento: o conhecimento humano.

«Metamorfizar corretamente é ver – contemplar, ter olhar para – o semelhante. A epífora é este olhar e este lance de génio: o não ensinável, o não adquirível» (Paul Ricoeur).

«A metáfora é por excelência um tropo por semelhança». É esta que revela «a estrutura lógica do ‘semelhante’, porque, no enunciado metafórico, o semelhante é apercebido  apesar da diferença, apesar da contradição». É esta a estrutura lógica que dá vida à metáfora, que lança «o impulso da imaginação num ‘pensar mais’ ao nível do conceito», pois «as significações não são fórmulas estáveis mas dotadas de uma capacidade e de um dinamismo, que lhes permitem servir outros referentes e cooperar na inovação semântica».

A metáfora é considerada como uma forma de analogia. E o conhecimento por analogia é um conhecimento do semelhante pelo semelhante que detecta, utiliza, produz similitudes de maneira a identificar os objetos ou fenómenos que percebe ou concebe.
Para se verificar um pensamento o mais exato possível deve haver uma ideia dominante, alguma coisa que corresponda à característica principal do objecto e que dê unidade ao que é vário e disperso.
Em suma, nos conceitos análogos, apesar de existir diferenças, há também um enlace que possibilita o emprego das palavras com sentido e significado. A linguagem analógica ocupa o lugar intermédio entre o equívoco e o unívoco e expressa uma semelhança que inclui a igualdade na diferença. É uma semelhança de relações.