Este blogue, com o propósito de ser um e-portefólio para a UC de Metodologia de Investigação em Contexto Online, será também um agregador de bons materiais. Por isso, julgo que faz todo o sentido colocar aqui este trabalho das colegas Teresa Rafael e Lurdes Martins.
A Igreja é Comunhão – IX
Se, por um lado, vivemos numa época em que a informação flui por toda a parte, por outro, o indivíduo tem de ter capacidades para se saber localizar, tanto quanto possível, na complexidade.
A educação desempenha aqui um papel importante; a linha de pensamento educacional moderna põe o seu acento na ideia de autonomia e tomada de responsabilidade pelo próprio indivíduo. A noção não é de forma alguma nova mas adquire valor de resposta à crise contemporânea de ideologias que deixa o homem sem ponto de apoio individual e colectivo.
Podemos dizer que o mundo tecnológico apresenta-se como algo de enigmático aos nossos olhos, tanto mais que acarreta consigo um estado de crise preocupante. Esta é-o porque não tem paralelo com nenhuma época anterior. A especificidade desta vem-lhe da enorme mudança que a caracteriza. Contudo, a sociedade tecnológica continua a desenvolver-se segundo uma lógica que lhe é própria e na qual cada indivíduo é chamado a tomar responsabilidades.
Neste contexto a vivência da comunhão pode assumir novos contornos; as possibilidades técnicas podem ajudar a uma maior clarificação do conceito de «comunhão» e a achar formas novas de a praticar. É um dado assente que esta revolução é universal, tal como a Igreja pretende ser (católica), assim à Igreja cabe compreender este processo, assimilá-lo, na medida do possível, para poder situar-se na nova sociedade e realizar aí a sua missão.
Ser Igreja
Agora o sítio da Arquidiocese de Braga, que tem merecido uma reformulação muito interessante no âmbito das potencialidades do som e da imagem, disponibiliza agora também o Programa «Ser Igreja».
Parabéns àqueles que promovem esta iniciativa e à Instituição que é capaz de, sem perder a sua identidade, acompanhar as novas possibilidades da Web 2.0.
E-Questionário
Da leitura que fiz de Pinheiro, Ana & Silva, Bento (2004). A Estruturação do Processo de Recolha de Dados On-Line. In Actas da X Conferência Internacional Avaliação Psicológica, Formas e Contextos. Braga: Psiquilíbrios Edições, pp. 522-529 que, embora se debrucem sobre a recolha de dados por e-mail, posso dizer que têm dados que podem ser perfeitamente aplicáveis a outros e-questionários.
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Parâmetros |
Correio postal |
E-mail |
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Custos na recolha dos dados |
Baixo |
Muito menor |
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Tempo necessário para recolha de dados |
Alto |
Menor |
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Tamanho da amostra para determinado orçamento |
Grande |
Maior |
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Informação recolhida por inquirido |
Baixo |
Maior |
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Alcance a uma amostra dispersa |
Sim |
Sim (de forma mais rápida e com menores custos) |
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Interacção com inquiridos |
Não |
Sim |
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Necessidade de formação para trabalho de campo |
Não |
Não |
Quadro 5 – Comparação de métodos de recolha de dados: correio postal e e-mail (Pinheiro, Ana & Silva, Bento (2004))
O e-questionário tem custos irrisórios e o tempo de recolha de dados de forma electrónica também se reduz substancialmente, basta recordar o tempo do envio e do retorno do correio postal. Claro que a amostra pode ser muito maior, no e-questionário, por causa dos baixos custos. Há também a possibilidade de mais facilmente tratar os dados, nomeadamente quando eles são inseridos em ferramentas quiz. O não precisar de grande tempo para o investigador inserir os dados, ou até nenhum em alguns casos, torna o processo muito mais rápido e fiável, pois omite-se a possibilidade de erro humano.
O e-questionários permitem ainda a “estabelecer uma interacção pessoal, rápida e eficaz entre os sujeitos da investigação” (Pinheiro, Ana & Silva, Bento. 2004:527).
Algumas ferramentas disponíveis
Para se realizarem e-questionários podemos recorrer as seguintes ferramentas:
Thesis Tools – trata-se de uma ferramenta para quem está a trabalhar numa dissertação. O serviço é gratuito (ou, como eles dizem no site, quase – no final pedem que apresentemos os resultados no site através de um ficheiro do Word ou PDF) e entre as línguas que podem ser usadas encontra-se o português.
2Ask – é um serviço comercial mas que tem uma versão de teste grátis que podemos utilizar durante um mês e nos permite criar três inquéritos com até 100 perguntas (mas depois só podem ser 10 pessoas a responder). A versão a sério começa nos €198 para um inquérito com a duração de 30 dias que permite até 100 participantes. A partir daí o preço é sempre a subir.
Surveymonkey – Já foi aqui apresentada pelos Suspeitos do Costume. Possui uma versão grátis que permite até 10 perguntas por inquérito e 100 respostas. Podemos utilizar qualquer língua e a criação de um número ilimitado de inquéritos. Na ajuda do SurveyMonkey encontrei um PDF interessante sobre a construção de inquéritos.
Zoomerang – A versão grátis permite até 30 perguntas por inquérito. Numa primeira análise pareceu-me que a ajuda é boa.
Surveygizmo – O plano básico ($19 por mês – tem uma versão grátis que dura 14 dias) permite um número ilimitado de inquéritos e perguntas; 250 respostas por mês.
Questionpro – é a pagar mas tem uma versão grátis.
Magic survey tool – Tem uma versão grátis cuja conta dura um mês.
Survey Methods – É a pagar mas tem conta grátis. Quando se cria uma conta podemos usar uma conta normal durante uma semana.
Lime Survey – Trata-se de uma ferramenta feita em PHP que pode ser descarregada para instalação num servidor. Podemos igualmente utilizar a ferramenta directamente sem termos de possuir um servidor através do serviço disponibilizado.
O GoogleDocs (formulários) é uma ferramenta poderosa na criação de questionários online. Permite ao investigador criar máscaras de introdução de dados de forma simples e intuitiva, permite a consulta rápida dos dados visto que passam directamente para uma folha de cálculo e possibilita ainda uma análise profunda dado que os dados podem ser rapidamente canalizados para um programa tipo Excel ou para um programa como o SPSS. O meu colega e amigo Paulo Simões partilhou um artigo que considero muito útil para iniciar à utilização desta ferramenta: Googledocs.
Free Quis Maker – É uma ferramenta grátis, onde e pode realizar quiz, testes online, formação, recrutamento, exames, curiosidades ou apenas testes de puro divertimento.
QuestionForm – É uma aplicação grátis para criar, publicar e analisar inquéritos online e formulários. Tem uma versão grátis, mas para funcionalidades mais avançadas há que recorrer a uma versão paga.
Surveymonkey – Tem a finalidade de permitir a qualquer pessoa criar inquéritos online profissionais, de forma rápida e fácil.
Paxonta – na sua versão grátis, permite qustionários até 100 perguntas, com 18 modalidades diferentes.
N.B. – Consegui recolher estas ferramentas, graças à partilha que os meus colegas de mestrado fizeram. Obrigado!
Qualidade na Formação Online
Para a elaboração deste texto, tenho diante de mim os trabalhos dos colegas de Mestrado, realizados após a leitura dos artigos propostos, resumo e partilha do fórum da Moodle. Os trabalhos disponíveis aqui e aqui, para além daquele que o meu grupo realizou e que está aqui.
Antes de mais gostava de fazer uma referência àquilo que se entende por qualidade. No senso comum, quando se diz que algo tem qualidade está-se a dizer que está de acordo com as expectativas que se tem em relação à coisa em si. Por exemplo, ao afirmar-se: «este arroz de caril tem muita qualidade», o sujeito está a fazer referência às suas expectativas e àquilo que já viveu e conhece. Só assim se compreende que um mesmo «arroz» possa ser considerado por uma pessoa como muito bom e outra pessoa o considere razoável. E ambos têm razão, porque aqui estão em jogo as percepções de cada indivíduo, que são afectados/moldados pela cultura, pelos modelos mentais, pelo tipo de produto ou serviço prestado, pelas necessidades e pelas expectativas que se têm.
Mas, no nosso caso, ao abordarmos a qualidade de um sistema de ensino online, precisamos de ter presente que mais do que qualidade, entendido no sentido comum, estamos a procurar sistemas de gestão de qualidade, ou seja, que se verifiquem as condições óptimas para a realização do ensino, de acordo com um standar/paradigma previamente definido. Daí que, de seguida, vamos ocupar-nos destas duas vertentes: estabelecer um modelo de ensino online ideal, e elencar as condições/meios que se têm de verificar.
Curso Online
Um curso online é um curso baseado essencialmente na Internet, tirando o máximo partido das oportunidades oferecidas pela web. Pois a educação à distância parece ser uma importante resposta para as necessidades do desenvolvimento profissional das diversas populações e para a aprendizagem ao longo da vida. Os cursos devem ir ao encontro dos aprendizes, tirando o melhor partido da sua disponibilidade de tempo, energias e focos interesses e necessidades. Estamos a caminhar para um paradigma que podemos designar de «aprender sem distância», procurando estar no lugar certo, à hora certa; Nos cursos online não tem lugar tanto a teoria behaviorista, mas sim a constructivista, ou melhor a conectivista (G. Siemens), onde a aprendizagem é potenciada pelas conexões que se estabelecem, com os diversos fautores da aprendizagem (aluno, professor, conhecimento).
A aprendizagem online eficaz(Alley 2000), centrada totalmente no desenho do projecto pedagógico, assume que:
- O conhecimento é construído;
- A aprendizagem é mais eficaz se for o aluno a assumir a responsabilidade pela sua própria aprendizagem;
- A motivação dos estudantes é determinante nos resultados e sucesso da aprendizagem;
- Uma aprendizagem de nível superior exige uma atitude de reflexão;
- A aprendizagem é um processo individual;
- Aprender é uma vivência experiencial;
- A aprendizagem tem uma ambivalência social e individual;
- Pressupostos epistemológicos superiores inflexíveis podem perturbar uma aprendizagem mais enriquecedora;
- Aprender é um processo em espiral;
- A aprendizagem é um processo não linear.
Condições que se devem verificar no curso online
Essas condições vão ser distribuídas em três âmbitos: desenho do sistema de formação, forma de disponibilização e resultados do sistema formativo.
1. Desenho do sistema e formação:
1.1 Qualidade do sistema
- Fácil utilização
- O sistema reflecte contextos reais de aprendizagem
- Estável
- Seguro
- Rápido
- Sensível
1.2 Qualidade da informação
- Bem organizada
- Apresentada com eficácia
- Tamanho adequado
- Bem redigida
- Útil
- Actualizada
- Privilegia as actividades aos meros conteúdos
1.3 Qualidade do Serviço
- Imediato
- Sensível
- Justo
- Promove o trabalho de grupos
- Inteligente
- Disponível
2 . Forma de Disponibilização
2.1 Recursos (podem ser utilizados)
- Slides
- Áudio
- Escrita
- Discussões
- Estudos de caso
- Problemas práticos
- Tutoriais
- Trabalhos
- Exames práticos
- Redes sociais
- Blogues
- Micro-blogues (twitter)
2.2 Os recursos:
- Estão acessíveis de acordo com as necessidades dos alunos num formato não linear
- Reflectem o tema do momento e são actualizados regularmente
- reflectem a variedade de perspectivas de modo que os alunos tenham a oportunidade de julgar o mérito de diferentes posições, em vez de lhes ser dado apenas um ponto de vista
- Permitem que os alunos acendam a uma variedade de opiniões
- Reflectem a inclusão social, cultural e de sexo
2.3 O Professor/Formador
- É uma orientador/facilitador
- Promove o nível metacognitivo da aprendizagem
- Integra actividades e avaliação
3 . Resultados do Sistema formativo
3.1. A Rede consegue:
- Aprendizagem reforçada
- Habilitada
- Poupança de tempo
- Sucesso académico
- Estar acessível a pessoas com necessidades educativas especiais
- Ser fiável
- Tornar acessível toda a informação disponível
- Possibilitar excelentes canais de comunicação entre os alunos, com os formadores e com o conhecimento
3.2. A Rede evita
- Falta de contacto
- Isolamento
- Relação patológica com a tecnologia
A percepção que o aprendiz deve ter do curso online
Neste ponto vou elencar aquelas que considero serem as condições que o aprendiz deve verificar, para que se possa considerar que um curso online tem qualidade:
- Tarefas autenticas
- Oportunidades de colaborar com outros aprendizes
- Ambientes centrados no aprendiz
- Cativante
- Avaliações com significado para a aprendizagem
- Os recursos são acessíveis
- Os recursos estão actualizados
- Uso adequado dos mídia
- Promove a inclusão
- Interface fiável e robusto
- Os objectivos, orientações e planos de aprendizagem são claros
- Há boa comunicação;
- O acesso à web tem as condições requiridas
- O desenho da formação promove a cooperação.
Conclusão operativa: um curso online terá tanto mais qualidade, quantas mais respostas afirmativas conseguir a cada item.


